A destituição do diretório estadual do PRD em Mato Grosso desmontou, nesta segunda-feira (30), o ato que a legenda preparava para anunciar novos filiados de olho nas eleições de 2026. O evento estava marcado para o mesmo dia e fazia parte da estratégia de ampliação da chapa articulada pelo então presidente do partido no Estado, Mauro Carvalho Júnior.
A reviravolta foi comunicada em meio ao avanço das articulações do grupo ligado ao governo Mauro Mendes. Entre os nomes cotados para reforçar o partido estavam o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, que havia dito ter “90% de chance” de se filiar ao PRD, e o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Allan Kardec, apontado nos bastidores como um dos reforços da sigla para a disputa proporcional.
Em nota enviada a aliados, Mauro Carvalho afirmou ter sido surpreendido pela decisão da federação entre PRD e Solidariedade e sugeriu que houve um entendimento nacional diferente do que vinha sendo construído em Mato Grosso. “Infelizmente na política por interesses pessoais, vendem até a mãe pelo poder”, escreveu. No texto, ele também disse que já havia chapas prontas para deputado estadual e federal e informou que começou a conversar com outras legendas para acomodar os pré-candidatos.
A crise atinge diretamente um projeto que vinha sendo vendido como alternativa competitiva para a eleição proporcional deste ano. Antes da queda do comando regional, o grupo articulado por Mauro Carvalho trabalhava para transformar o PRD em uma sigla com densidade suficiente para montar chapas fortes e atrair parlamentares, secretários e ex-prefeitos.
O pano de fundo da disputa passa pela própria estrutura partidária. O PRD e o Solidariedade integram a Federação Renovação Solidária, registrada no Tribunal Superior Eleitoral em dezembro de 2025, o que obriga as duas legendas a atuarem de forma unificada em todo o país por pelo menos quatro anos. No plano nacional, a federação é presidida por Ovasco Roma Altimari Resende.
Nos bastidores, a leitura é de que a intervenção nacional esvazia o projeto local construído para alinhar o partido ao grupo governista em Mato Grosso. Mauro chegou a afirmar que o acordo estadual previa apoio ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás e ao governador Mauro Mendes (União) ao Senado, mas que a cúpula nacional teria fechado entendimento em outra direção. Até a tarde desta segunda-feira, porém, ainda não havia clareza total sobre o novo desenho da federação no Estado. O presidente do Solidariedade em Mato Grosso, Marco Aurélio, afirmou que recebeu sinalização de Brasília de que poderá permanecer no comando da sigla, indicando que a definição ainda está em curso.
A mudança ocorre ainda na reta final da janela partidária, aberta de 5 de março a 3 de abril, período em que deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato. Com isso, a destituição do diretório pressiona o grupo que negociava ingresso no PRD e pode provocar uma redistribuição de pré-candidatos em outras siglas nos próximos dias.