Uma dor de cabeça que parecia ser apenas uma "ressaca infinita" levou Marianna Candido, de 29 anos, a descobrir um tumor cerebral de 7,5 centímetros. Sommelière de vinhos e dona de uma adega de vinhos nacionais em Goiânia, ela tinha 28 anos quando recebeu o diagnóstico de glioblastoma, um tipo de câncer no sistema nervoso central.
A descoberta aconteceu entre julho e agosto de 2025, depois de Marianna voltar para Goiatuba, no interior de Goiás, onde foi para participar de uma festa de pecuária, visitar a família e encontrar os amigos. Durante a viagem, ela consumiu bebidas alcoólicas, mas não imaginava que, dias depois, uma dor de cabeça intensa mudaria completamente sua rotina.
Ao retornar para Goiânia, a dor permaneceu por três dias. Como não costumava ter esse tipo de sintoma, Marianna estranhou, mas inicialmente acreditou que fosse consequência da bebida.
"Eu comecei a ter muita dor de cabeça e a primeira coisa que eu pensei foi: 'Nossa, que ressaca infinita'. Eu senti dor de cabeça durante três dias", contou em entrevista
Ela tentou tomar medicamentos por conta própria, mas a dor não melhorou. Enquanto trabalhava na adega, em uma tarde de quarta-feira, o incômodo ficou tão forte que decidiu procurar atendimento médico. O pronto-socorro ficava a apenas uma quadra de sua casa.
Tumor de 7,5 centímetros foi descoberto em exame
Ao chegar ao pronto-socorro, a médica que a atendeu perguntou se Marianna já havia feito uma tomografia. Como nunca tinha realizado o exame, ela aceitou passar pelo procedimento. A dor de cabeça, porém, continuou piorando mesmo depois que recebeu medicação na veia.
Cerca de uma hora e meia depois, Marianna recebeu a notícia que mudaria completamente sua rotina. A médica informou que ela precisaria ser transferida para uma UTI após a tomografia identificar um tumor cerebral de 7,5 centímetros.
"Foi onde a médica conversou comigo e falou: 'Olha, eu preciso te transferir agora para uma UTI, porque você tem um tumor cerebral de 7 centímetros e meio'", relatou.
Marianna avisou familiares e amigos e, naquela mesma noite, foi encaminhada para a UTI. No dia seguinte, passou por uma ressonância magnética e foi avaliada por um neurocirurgião. As imagens levantaram a suspeita de que o tumor poderia ser maligno.

A cirurgia foi realizada em 2 de agosto de 2025. Ela permaneceu internada por mais alguns dias e recebeu alta na quarta-feira seguinte. Depois do procedimento, iniciou o acompanhamento com a oncologista Larissa Curado, a radioterapeuta Thais Simionato e o neurocirurgião Rodrigo Correa.
O diagnóstico confirmado foi de glioblastoma. Marianna conta que os médicos explicaram que, por ser um tumor invasivo, não seria possível retirar todas as células cancerígenas. O tratamento, então, seguiu o protocolo Stupp, com uma primeira etapa que reuniu 25 sessões de radioterapia e 30 de quimioterapia.
O período foi marcado por efeitos colaterais. Ela perdeu os cabelos, teve uma reação alérgica à quimioterapia e precisou adiar algumas sessões. Após essa primeira fase, fez uma pausa de um mês antes de iniciar a segunda etapa, composta por seis ciclos de quimioterapia. Em cada ciclo, eram cinco dias consecutivos de medicação.
Nessa segunda fase, as principais dificuldades vieram das náuseas e dos problemas no estômago, que chegaram a dificultar a alimentação e a ingestão de líquidos.

"Eu vivi a queda do meu cabelo, fiquei careca, tive alergia da quimioterapia, precisei atrasar meu tratamento alguns dias. Foi bem complicado", lembra.
'Eu sou muito além do diagnóstico'
Mesmo durante o tratamento, Marianna continuou encontrando maneiras de fazer as coisas que gostava. Nos dias em que estava bem, ia à academia, encontrava os amigos, saía para bares, festas e rodas de pagode. Durante esse período, também foi madrinha de casamento.
Para ela, continuar fazendo essas coisas era uma forma de preservar a vida que tinha antes do diagnóstico. Marianna diz que sempre gostou de viver intensamente e que nunca conseguiu imaginar a possibilidade de simplesmente parar por causa da doença.
"Eu sempre fui viciada em viver. Para mim, era inconcebível a ideia de não continuar vivendo."


