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Vídeo | Com aval de Michelle, Wellington troca vice pela 2ª vez e aposta no ‘Rei do Porco’ para conter desgaste no bolsonarismo

Reinaldo Morais tem atuação no meio evangélico e ficou conhecido por ter ungido o pé do ex-presidente Jair Bolsonaro
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 14/08/2026 12:48

O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) mudou pela segunda vez a composição de sua chapa e escolheu o empresário Reinaldo Morais, conhecido como “Rei do Porco”, para disputar a vice-governadoria. Em poucos dias, o liberal passou por três nomes para o posto: primeiro Marcelo Maluf (Novo), depois o médico Alencar Farina (PL) e, agora, Reinaldo, que chega à campanha com a missão política de reforçar a ligação de Wellington com o bolsonarismo.

A escolha ocorre após uma sequência de desgastes na montagem da majoritária e tem um componente nacional. A indicação de Reinaldo foi defendida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segundo informações divulgadas por veículos de Mato Grosso. O empresário mantém relação próxima com integrantes da família Bolsonaro e participou da mobilização pela reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Mato Grosso, em 2022.

Politicamente, a nova composição busca dar fôlego a Wellington justamente em um segmento no qual o senador enfrenta resistências internas. A aliança do PL com o MDB em torno da candidatura de Janaina Riva ao Senado e, posteriormente, a escolha de Farina para vice provocaram incômodo em setores mais identificados com a direita bolsonarista. A entrada de Reinaldo, com histórico de proximidade com Bolsonaro, sinaliza uma tentativa de reduzir esse ruído dentro da própria base.

A primeira escolha para vice havia sido Marcelo Maluf. O empresário foi oficializado pelo Novo durante convenção partidária no dia 5 de agosto, mas acabou retirado da chapa dois dias depois. Ao deixar a composição, Maluf acusou Wellington e o PL de quebra de compromisso e afirmou que sua participação já havia sido formalmente construída dentro do processo eleitoral.

Para o lugar dele, Wellington escalou Alencar Farina. O nome do médico chegou a constar na documentação protocolada pela candidatura, mas seu histórico político passou rapidamente a ser explorado. Farina já teve passagem pelo PT e, em 2004, integrou como vice a chapa de Alexandre César (PT) à Prefeitura de Cuiabá. Anos depois, também disputou eleição pelo partido antes de migrar para o campo bolsonarista.

A repercussão abriu espaço para uma nova mudança. Com Reinaldo, Wellington passa a ter ao lado um nome identificado há anos com Bolsonaro e com trânsito tanto no agronegócio quanto em ambientes religiosos. Evangélico, o empresário participa de eventos cristãos e já foi anunciado como palestrante em encontros voltados à fé, família e empreendedorismo.

A aproximação com a família Bolsonaro ganhou uma imagem emblemática em abril de 2024. Durante uma passagem do ex-presidente por Diamantino, Reinaldo apareceu ajoelhado aos pés de Bolsonaro durante uma oração, enquanto os pés do ex-presidente eram ungidos com óleo. O vídeo viralizou nas redes sociais e reforçou publicamente a ligação religiosa e política do empresário com o ex-presidente.

Embora o episódio tenha sido descrito nas redes como uma espécie de “lava-pés”, em referência à passagem bíblica envolvendo Jesus Cristo, as imagens mostram uma unção com óleo acompanhada de oração, e não propriamente a lavagem dos pés.

Reinaldo também não é estreante nas urnas. Em 2020, disputou pelo PSC a eleição suplementar ao Senado aberta após a cassação de Selma Arruda. Terminou a disputa em décimo lugar, com 36.545 votos. Dois anos depois, voltou ao centro da articulação bolsonarista em Mato Grosso, participando da coordenação da campanha de Bolsonaro no Estado.

Zootecnista e empresário do agronegócio, Reinaldo nasceu em Maringá (PR), em 1970, e atua em Mato Grosso desde 2009. Tem negócios ligados principalmente à suinocultura, produção animal e agroindústria. Na eleição de 2020, declarou patrimônio superior a R$ 158 milhões à Justiça Eleitoral.

Com a nova alteração, Wellington chega à reta final para o registro das candidaturas com a terceira configuração de vice em poucos dias. Mais do que preencher a vaga, a aposta em Reinaldo reposiciona a chapa em direção ao eleitorado conservador e aproxima o senador de um personagem diretamente associado à família Bolsonaro — justamente após uma sequência de decisões que provocaram questionamentos entre setores da direita em Mato Grosso.

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