Vídeo | Mauro chama Wellington de “cara de pau” e rebate críticas sobre rodovias
Ex-governador saiu em defesa das estadualizações de rodovias e acusou senador de faltar com a verdade ao criticar obras feitas pelo Estado
- Categoria: Geral
- Publicação: 26/05/2026 14:49
O ex-governador Mauro Mendes (União) elevou o tom contra o senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, em um vídeo publicado nas redes sociais. Irritado com declarações do parlamentar sobre a estadualização da antiga BR-174, hoje MT-170, e sobre a BR-158, no Araguaia, Mauro acusou Wellington de agir com desrespeito à população e de faltar com a verdade.
“Meus amigos, assistam esse vídeo e vocês vão ver um exemplo de um político cara de pau e que não tem respeito nenhum com a população do nosso Estado”, afirmou Mauro, logo no início da gravação.
A reação ocorreu após Wellington criticar a decisão do Governo de Mato Grosso de assumir a antiga BR-174. No vídeo usado por Mauro, o senador afirma que trabalhou para federalizar a rodovia, mas que o Estado decidiu estadualizar o trecho, refazer a licitação e modificar o projeto. “Eu continuo dizendo que foi um erro do Estado”, declarou o parlamentar.
A rodovia em questão liga a região de Juína a Castanheira, Juruena, Aripuanã e Colniza, em um trecho de mais de 270 quilômetros. A estrada foi federalizada em 2008, mas voltou à administração estadual após anos de impasse. Em material divulgado pelo próprio gabinete de Wellington em 2022, o senador afirmava que a estadualização estava próxima e que seriam mais de 270 km de asfalto e 23 pontes novas; o texto também registrava que o termo de transferência havia sido assinado em 30 de dezembro de 2021.
No vídeo, Mauro afirmou que a rodovia ficou abandonada durante 14 anos sob responsabilidade federal e citou imagens de atoleiros, transtornos, ambulâncias, ônibus escolares e moradores enfrentando horas para atravessar trechos em condições precárias.
“Durante esses 14 anos, o que aconteceu na prática com esta BR-174 foi um total abandono. Olha só as imagens, atoleiro, desespero das pessoas que chegaram a demorar ali vários dias, 10, 11 horas para atravessar essa estrada em péssimas condições”, disse.
Mauro também associou o período em que a rodovia esteve sob gestão federal à atuação política de Wellington em Brasília. O ex-governador afirmou que o senador, por ter sido deputado federal por vários mandatos e estar no segundo mandato no Senado, teria influência sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso.
“Durante muitos anos o senhor mandou no Dnit, era o senhor que nomeava o representante do governo federal aqui, o superintendente do Dnit foi nomeado pelo senhor, e por que nada mudou?”, questionou Mauro.
Em seguida, o ex-governador disse que chamar a estadualização de erro seria desconsiderar o sofrimento da população da região noroeste.
“E o senhor vem dizer que é um erro? É um erro tirar aquelas pessoas do sofrimento? É um erro acabar com o abandono daquela região e acabar com toda aquela tragédia que todos os anos acontecia com as pessoas sofrendo?”, disparou.
Mauro ainda insinuou que a decisão do Estado pode ter contrariado interesses ligados aos contratos de manutenção da rodovia. “Será que é um erro ou foi um erro que acabou com a mamata das empreiteiras ou de alguns que se beneficiavam disso?”, afirmou.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comunicação do Estado em maio de 2025, a MT-170 voltou para Mato Grosso em julho de 2022 e, desde então, o governo estadual havia asfaltado 144,72 km dos 271,6 km previstos, com R$ 675 milhões em investimentos e 53,22% da obra executada.
No mesmo vídeo, Mauro comparou a situação da MT-170 com a estadualização da BR-163. Ele afirmou que a decisão de assumir a concessão da rodovia foi outro acerto da gestão estadual e citou a redução de mortes e a duplicação de trechos importantes da via. O Governo de Mato Grosso assumiu o controle da Nova Rota do Oeste, concessionária da BR-163, por meio da MT Participações e Projetos, em maio de 2023, e informou que entregou os primeiros 100 quilômetros duplicados entre Posto Gil e Nova Mutum em menos de dois anos.
“Assim como acertamos quando nós fizemos a estadualização da BR-163. Tiramos do abandono ali, toda aquela região, mais de 200 mortes todos os anos. Será que o senhor considera isso também um erro? Salvar as vidas das pessoas, melhorar aquela região?”, questionou.
O embate também passou pela BR-158, no Araguaia. Wellington criticou a possibilidade de o Estado assumir a obra e disse que houve “arrogância” na fala de que Mato Grosso poderia executar o trecho. Mauro rebateu dizendo que a rodovia segue sob responsabilidade federal e que o governo federal teria avançado pouco.
“Não venha falar da BR-158 lá na Araguaia. Ela é do governo federal também, são mais de 100 quilômetros que atravessam a reserva indígena. O governo federal, em três anos, fez apenas 12 quilômetros”, afirmou.
A BR-158 é uma das principais pautas de infraestrutura do Araguaia. Em 2020, o governo federal definiu que o traçado da rodovia contornaria a Terra Indígena Marãiwatsédé, em um trecho que aumenta o percurso, mas atende recomendação da Funai e busca evitar conflitos com a comunidade indígena Xavante. Na ocasião, Wellington avaliou que a decisão colocava fim a uma longa discussão e permitiria avançar na viabilização da rodovia.
Ao final do vídeo, Mauro afirmou que as críticas de Wellington têm motivação eleitoral e disse que continuará respondendo a ataques contra obras realizadas pelo Estado.
“Porque é período eleitoral, não venha falar mentiras e inverdades que nós estaremos aqui prontos para responder ao senhor e qualquer um que tente ousar falar mal do nosso Estado e daquilo que é feito para o bem da nossa população”, declarou.
O ex-governador encerrou a gravação reforçando a crítica direta ao senador.
“Que o senhor não tem experiência administrativa, volto a reafirmar aqui. E agora, me parece que o senhor está faltando é com a verdade e também com a honestidade de propósito com o povo do nosso Estado”, afirmou.
A troca de acusações ocorre em meio ao aquecimento da sucessão estadual de 2026. Mauro deixou o Governo de Mato Grosso em março deste ano, quando Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu o comando do Estado após receber a faixa governamental do ex-governador.
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