Homem de 37 anos morre com dor de garganta em UPA
Francisco Rodrigues de Oliveira Junior, de 37 anos, morreu após procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, na noite do último sábado (7).
- Categoria: Geral
- Publicação: 12/03/2026 20:43
- Autor: Fonte: COMANDO GERAL
rancisco Rodrigues de Oliveira Junior, de 37 anos, morreu após procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, na noite do último sábado (7). O homem, que trabalhava no setor financeiro de uma empresa, estava com forte dor de garganta e muita fraqueza.
Ele morreu pouco tempo depois de dar entrada na unidade. Parentes apontam possível descaso no atendimento, afirmam que receberam versões diferentes dos profissionais da UPA e cobram investigação para esclarecer o que aconteceu dentro da unidade de saúde.
Calita Ramos de Sousa, namorada de Francisco, informou ao FOLHAMAX que ele chegou na UPA por volta das 21h30, acompanhado dela e do cunhado. Já muito debilitado, ele mal conseguia caminhar. "A gente pediu uma cadeira de rodas porque ele estava com muita dificuldade de andar. O rapaz falou para a gente dar uma andada no corredor para ver se encontrava uma", contou.
Ela afirma que, mesmo após procurar pelos corredores da unidade, nenhuma cadeira de rodas foi encontrada. Ao voltar à recepção e pedir ajuda novamente, recebeu a mesma orientação. "Ele falou assim: "vocês que têm que procurar"", relatou.
Sem conseguir o equipamento, a namorada diz que precisou avisar na triagem que o namorado estava passando mal dentro do carro. Com a ficha já feita, ela recebeu autorização para levá-lo até a sala.
O cunhado então ajudou Francisco a caminhar até o local, apoiado, por causa da fraqueza. Na triagem, a pressão e a glicemia foram verificadas, mas a saturação não pôde ser medida. "Ela tentou medir a saturação, mas o aparelhinho não funcionava. Mexia no fio, colocava em outro dedo e não funcionava", relatou.
Segundo a namorada, ao perceber que a glicemia estava muito baixa, o paciente foi encaminhado para a sala de emergência. Ao chegar ao local, a família afirma que não havia maca disponível. "Não tinha uma maca disponível. Arrumaram uma cadeira dessas normais e meu irmão ficou segurando ele para ele não cair, porque ele estava muito ruim", disse.
Ela conta que os profissionais verificaram novamente a glicemia, que estaria em 34, e tentaram acesso venoso para medicação. Durante o atendimento, a namorada afirma que um líquido foi colocado à força na boca dele. "Chegou na maior brutalidade do mundo, batendo no queixo dele e falando "abre a boca"", afirmou.
MEDICAÇÃO E SUICÍDIO
Francisco ainda conversava com dificuldade, mas estava consciente, segundo a família. A situação teria mudado depois de receber medicação na veia. "Ele começou a falar coisa com coisa. Começou a fazer conta, um monte de conta, e começou a gritar e se esticar na cadeira", contou.
Logo depois, o estado dele teria piorado. Nesse momento, a mãe do paciente foi chamada, mas os familiares acabaram retirados da sala.
Algum tempo depois, por volta das 22h30, a família recebeu a notícia da morte. Segundo a namorada, para a mãe de Francisco, foi dito que ele morreu durante uma lavagem estomacal.
Já para ela e outros parentes, a equipe afirmou que a morte ocorreu durante uma intubação. "Falaram que foram itubar ele e começou a voltar muito sangue no tubo. Disseram que tentaram por 20 minutos, mas não tinham sangue para repor", relatou.
Conforme Calita, a família também questionada a presença de um hematoma no quadril do paciente. De acordo com a namorada, a equipe teria avisado que o roxo já existia quando ele chegou na unidade, o que é contestado pelos familiares. "É mentira. Quem ajudou ele a se vestir fui eu e meu irmão e ele não tinha nenhum hematoma", afirmou.
Segundo a namorada, chegou a ser cogitada pelo médico que atendeu Francisco a hipótese de suicídio, o que os parentes rejeitam. "Ele estava na fase mais feliz da vida dele. Jamais ia tirar a própria vida", disse.
Ela relatou ainda que durante o atendimento o médico estava nervoso, mas quando foi informar a morte estava calmo sugerindo que o profissional tenha tomado algum medicamento para se tranquilizar. "E aí o médico, enquanto estava fazendo lá o atendimento dele, estava muito bruto com a falta de educação extrema. Depois, quando ele foi dar a notícia do óbito, ele estava totalmente calmo, tranquilo e deu para perceber que na mão dele ele havia recebido uma medicação", suspeita
Calita lamentou o descaso e pediu o caso da morte do namorado seja investigado. "Tinha uma criança do corredor sendo atendida, deitada numa maca e jogado, largado lá, sabe? E a mãe tentando encontrar alguém para dar atenção para a criança. A criança gritando de dor, passando muito mal. Está um descaso tão grande, tão grande que a gente só quer que ninguém passe. Nenhuma família, nenhum paciente passe pelo que a gente passou e pelo que ele passou nas mãos daquele médico lá naquela UPA. Assim, eu não gosto nem de recordar como ele foi tratado. E, assim, a gente presenciar tudo isso sem poder fazer nada", lamentou.
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